Quinta-feira, Janeiro 26, 2006

Soneto da Fidelidade

Vinícius de Moraes

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Sábado, Dezembro 31, 2005

Último dia do ano

Amanhã, saldo de balanço do ano e metas pra 2006.
Happy New Year!

:D

Terça-feira, Novembro 08, 2005

Solidariedade - Campanha de Natal RJ 2005

Ano passado, num dos nossos (antes) freqüentes papos pelo msn, Marcele e eu tivemos a idéia de nos juntar para fazer uma campanha de doações de fim de ano. Não me lembro ao certo como começou nem de quem partiu, só sei que em pouco tempo conseguimos mobilizar várias pessoas, criamos um blog e uma comunidade no orkut, recebemos doações em casa de amigos e parentes, fomos busca doações em tantas outras e até fomos juntas comprar brinquedos na Uruguiana.

E o resultado foi tão positivo que este ano estamos promovendo a II Campanha de Natal RJ, usando o mesmo blog para a divulgação e reativando a comunidade, na qual vamos postar o andamento da campanha e tb outras iniciativas. Ainda temos novidades: o selinho aí do lado criado pela Marcele pode ser copiado para os blogs de quem se interessar em divulgar; além disso, temos agora um e-mail de contato exclusivo (campanhadenatal@hotmail.com), pelo qual iremos mandar boletins sobre o andamento da campanha e poderemos dar informações.

Temos três postos de doações (Copacabana, Tijuca e Urca) e vamos passando os endereços e telefones conforme formos recebendo as confirmações de doações por e-mail, ok? Já temos confirmadas contribuições de São Paulo e temos chance também de ter doações de Brasília! Bacana, né? :D

É o espírito do Natal!

Quinta-feira, Novembro 03, 2005

Repeteco de poesia: Eterno por ser amor

Engraçado, quando fiz esta poesia, o amor para mim tinha outro sentido. Um sentido meio triste, como um fardo que eu teria que carregar sem ser correspondida. Hoje, depois de aprender o verdadeiro sentido deste sentimento, me sinto leve, plena e feliz, e esta poesia ganha novos contornos. Não sinto saudade deste tempo, mas continuo sem ter raiva nem arrependimento. Acredito que tudo que vivemos é importante, nos faz crescer, nos deixa mais preparados para a vida. Tenho certeza de que não estaria tão feliz hoje se não tivesse passado pelos desenganos de outrora.

Estou republicando porque fiquei feliz com a homenagem que minha prima fez no flog dela para mim (http://www.flogao.com.br/cantinhodasara/foto/14/28358080) e porque é muito perceber que mudamos, claro que para melhor :)

"É, te amo

Não há porque esconder

Não é que você mereça

Aliás, você não merece e bem sabe disso

Mas meu amor não é inconseqüente, é apenas incoerente.

Meu amor não é cego, talvez seja apenas calado.

É amor por amor, amor construído

é semente que cresce em terra fértil mesmo sem ser regada.

Te amo, mas neste amor, não há desespero

não há dor, nem mágoa, rancor

é amor maduro, saudoso do que poderia ter sido mas nunca será.

É estranho falar que não te quero mais

mas te amo sime por te amar tanto

tão mais quanto seja possível que te quero longe.

O que mantém este amor vivo é o paradoxo da distância.

Amo tanto que te quero feliz, em terra em que meus olhos não vejam

mas que sinta meu coração.

É, te amo

e este sentimento é eterno

simplesmente por ser, amor."

Sexta-feira, Outubro 14, 2005

A necessidade da catarse (ou Limpeza da alma)

"Concepção de origem órfica e pitagórica, introduzida por Platão em seu ideário, que diz respeito ao processo de purificação das almas dos mortos antes de terem acesso a um nível superior ou de se reencarnarem. (Schlesinger, 1982.)" - em www.ceismael.com.br/oratoria/oratoria030.htm

" Método que visa a eliminar perturbações psíquicas, excitações nervosas, tensões, angústia, através da provocação de uma explosão emocional ou de outras formas, e baseando-se na rememorização da cena e de fatos passados que estejam ligados àquelas perturbações. Ajuda o indivíduo a obter controle emocional ea enfrentar os problemas da vida. De acordo com Aristóteles, a palavra catarsis significa "limpeza da alma"." www.rudeldouglas.z6.com.br/Dicionario.htm

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Antes de ler essas definições para o que é catarse, eu já achava que ela era imprescindível para a vida. Entendia que catarse era o caos que se instaura dentro da gente quando a confusão mental chega ao seu ápice. Um caos necessário para que se tenha uma visão geral do que acontece a fim de que a consciência possa ser retomada.

Não é a primeira vez que me sinto assim. Você mesmo que me lê já deve ter sentido isso muitas vezes, mesmo que não tenha identificado plenamente. Talvez você esteja a beira da catarse neste exato momento e nem se dê conta.

"Processo de purificação das almas dos mortos antes de terem acesso a um nível superior" é uma definição magnífica e não é preciso morrer de fato para alcançá-la. Você pode, ao chegar no estato de confusão generalizada, se melhorar, ajustar comportamenos e se entender melhor.

Acredito que esta é a função da catarse e por isso ela é tão necessária. Ontem, entrei em catarse quase sem perceber, com a ajuda de uma confusão de sentimentos e da percepção de que estou planejando demais e fazendo de menos, colocando o peso das minhas frustações em si de quem só me dá amor.

Talvez eu ainda demore um pouquinho para alcançar o equilíbrio novamente, mas tenho certeza de que ele virá, e não vai demorar. Só por hoje quero ser melhor que ontem, menos tensa, mais objetiva, mais verdadeira comigo mesma. Só por hoje não vou repetir os mesmo erros de ontem e não vou ser injusta com as pessoas que nada tem a ver com minha catarse pessoal.

Como diz na segunda definição, a catarse "ajuda o indivíduo a obter controle emocional e a enfrentar os problemas da vida. De acordo com Aristóteles, a palavra catarsis significa "limpeza da alma"."

Então posso dizer que hoje é dia de faxina.

Terça-feira, Outubro 11, 2005

Quatro meses

Com ele aprendi o real significado da palavra saudade: a falta que a gente sente de nós mesmos quando está ao lado da pessoa amada.
Com ele aprendi que sonhar com a felicidade plena é bobagem; pra ser feliz basta um olhar, um beijo, uma palavra.
Com ele aprendi que ser tenso pode ser charmoso, mas que a vida fica mais gostosa com massagem e creme.

Com ele aprendo a cada dia o sentido de amar e ser amado, já que uma relação de amor se constrói a cada dia.
Com ele aprendo sempre um novo modo de ser romântica, um novo jeito de surpreender, uma nova maneira de demonstrar sentimentos.
Com ele aprendo que o momento que hoje parece ser o melhor e o mais bonito, sempre é superado pelo reencontro do dia seguinte.

Com ele quero aprender a ser mais compreensiva com o que não posso entender, mas devo respeitar por amor.
Com ele quero aprender que posso ser mais de uma sem deixar de ser eu mesma.
Com ele quero aprender a dividir para multiplicar, todos os dias e sempre.

Porque são quatro meses e uma vida.

Sábado, Outubro 01, 2005

Vida nova

Setembro foi um mês esquisito. Sabe aquela música "Alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial"? Pois foi assim que me senti. Fora de ordem, como se alguém tivesse me bagunçado, mexido com meu ego, com minha auto-estima. A gente passa tanto tempo querendo ter o controle das coisas que, quando o inevitável acontece, dá uma sensação de impotência enorme.

Uma doença auto-imune não mata, mas não tem cura (crônica) e só te afeta nos seus momentos mais sensíveis: muita alegria, muita tristeza, em momentos de cansaço, estresse... talvez sirva de termômetro para sinalizar a falta de controle do organismo, seja ela positiva ou negativa. Sendo assim, não vou morrer disso, mas certamente morrerei com isso. Posso conseguir conter a crise e ficar anos sem ter nada ou ter que periodicamente controlar seu aparecimento.

Quem tem psoríase precisa mudar de vida, é o que todos me dizem. Tem que se reinventar, procurar apertar o botão do F... para o estresse e tentar se manter Zen. Sabendo que vou me formar brevemente como jornalista e cineasta, isto já é difícil de se imaginar... mas estou tentando. Estou adorando meu novo trabalho (que não me estressa), estou fazendo a monografia no meu ritmo, tenho procurado me exercitar (ainda menos do que deveria, mas chego lá) e apesar de ter descompensado na alimentação mês passado, já decidi retomar o rumo em outubro.

Hoje, além de pensar nisso tudo, penso na Samantha, minha amiga-irmã querida que hoje tb está decidindo mudar de vida. Na verdade, ela decidiu faz tempo, mas hoje concretiza: parte hoje para a Austrália, para uma temporada de 17 meses, trabalhando, estudando e namorando muito seu baby-boy.

Muitas pessoas devem mudar de vida todos os dias, muitas vezes por ano. Mas, hoje, só quero pensar na minha amiga indo para a Austrália e sendo muito, muito feliz, mesmo que os 17 meses se tornem anos. Só espero que ela nunca deixe de mandar notícias...

Se você não tem nenhuma doença crônica que te obrigue a mudar de vida, nem tampouco tem uma viagem programada, mas quer mudar de vida, meu conselho: MUDE. Só você pode fazer acontecer, o que quer que seja. Meu namorado começou em um novo emprego esta semana; uma amiga minha casou há dois meses; uma prima descobriu que está grávida de três meses :) Novas vidas, vidas novas.

Sábado, Setembro 17, 2005

Quando o amor começa








Não sei quando comecei a amar o Tiago. A gente se conheceu por meio de interesses profissionais coincidentes; tivemos algumas conversas virtuais sobre Assessoria de Imprensa, atividade freelancer, faculdades de Jornalismo. Viramos amigos de orkut antes de sabermos ao certo onde o outro morava, a idade, a cor preferida.

Um belo dia, em um domingo ocioso de ambos, resolvemos conversar sobre a vida. E comecei a achar interessante aquele menino de nicks enormes que me perguntou em certa altura o que eu achava dele. Parecia inteligente, dinâmico, gostava de literatura, Queen e Moulin Rouge, como eu. Resolvi investigar seus dados no orkut para ver o que mais descobriria dos seus gostos, o que pensavam seus amigos, como ele se descrevia. "Quando eu me dedico em alguma coisa, eu me dedico mesmo. Me entrego 110% ao que for: namoro, trabalho, projeto, amizade e etc. Se mergulhar, é de cabeça; se voar é perto do sol. Já perdi muito tempo na vida. E já tomei muita porrada por agir desse jeito, mas não importa. A gente tem que dar tudo de si, pra ser feliz" dizia ele.

Com uma semana de troca de e-mails cada vez mais longos, marcamos um encontro para ver se, frente-a-frente, continuaríamos nos achando tão interessantes. Um dia conturbado, com muita chuva, frio, uma batida de carro e planos frustados de ir à Bienal. E apesar de um tanto insegura (até hoje não sei ao certo o porquê), não desisti do encontro e nos refugiamos em um shopping.

Acho que nunca vou esquecer deste encontro. De perto, o menino inteligente se mostrava sensível, gentil, carinhoso, ótimo ouvinte, interlocutor sincero, além de ser uma gracinha por trás dos óculos um tanto grandes para o seu rosto. Não sei se comecei a amá-lo ali. Se acreditarmos que o amor é um processo contínuo de conquista, posso dizer que ali ele começou a me conquistar, pois de lá para cá não esqueci dele.

O que realmente importa é que hoje em dia nosso amor é sincero, recíproco e surpreendente, mais para os outros do que para nós mesmos. Muitos ainda estranham todo este sentimento, as demonstrações de amor em público, o brilho constante em nossos olhos, os nicks sempre "in love". Talvez porque ambos estávamos um tanto quanto desacreditados que isso pudesse acontecer; que encontraríamos alguém que nos amasse assim.

Ouvir que nos primeiros meses é assim mesmo nunca me deixou insegura de que este sentimento diminuísse, pois sei que isso só depende de nós dois. São três meses e seis dias de namoro, quase cinco meses desde que estabelecemos o primeiro contato, e muita felicidade. E não me importa quanto tempo vai durar ou quando comecei a amar o homem que hoje me faz sentir tão completa como jamais estive. O que importa é que nosso amor existe.

Quinta-feira, Setembro 01, 2005

Ele me ensina (e vou aprender)


O Pulso
Titãs

O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa

Peste bubônica, câncer, pneumonia
Raiva, rubéola, tuberculose, anemia
Rancor, cisticircose, caxumba, difteria
Encefalite, faringite, gripe, leucemia

Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia
Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria
Sífilis, ciúmes, asma, cleptomania

E o corpo ainda é pouco
E o corpo ainda é pouco

Reumatismo, raquitismo, cistite, disritinia
Hérnia, pediculose, tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifóide, arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie, câimba, lepra, afasia

O pulso ainda pulsa
O corpo ainda é pouco
Ainda pulsa

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

Day by day

Sabe aquela máxima "nada como um dia após o outro"? Pois eu não me atrevo a contestar este ditado que se transforma em conselho na boca de amigos que querem consolar pessoas que não conseguem enxergar a possibilidade de um futu melhor.

Quem acompanhou meus posts aqui no blog durante este ano, sabe que já passei por vários altos e baixos desde o início de 2005. Em um surto psicótico que tive em dezembro, acabei acabando com o blog sem salvar nenhum dos meus posts antigos. Fiz isso porque, na época, achei que não conseguiria mais continuar escrevendo nada decente aqui, por estar triste e até, quem sabe, levemente deprimida.

No entanto, com a chegada de um novo ano, resolvi tomar providências concretas para que minha vida mudasse. Me prometi atitudes, anotei idéias e voltei com o blog. Já estamos chegado na terça parte do ano e muitas promessas foram e ainda estão sendo cumpridas. E a máxima do "viva um dia de cada vez" se torna cada vez mais preciosa para mim.

Este post é dedicado ao amigo Marquinhos do blog In Liner, que está passando por um momento difícil, mas que tenho certeza trará novos pensamentos e mudanças positivas para a vida dele.

Terça-feira, Agosto 16, 2005

Matei por amor



Confesso que matei por amor sem medo de ser condenada. Matar por amor não pode ser considerado crime, afinal fui a única que sofreu com tudo isso. Ele continua sendo amado por muitos, por tantas qualidades que deve ter, mas que eu não vejo mais. Porque em mim, apenas sua lembrança, morta, jaz.

Foi uma morte lenta, para que não houvesse chance de algo dele sobreviver em mim. Uma morte consciente, dolorida no começo, mas comemorada antes do fim. Matei sem arrependimento, para permitir que um outro amor, intenso e verdadeiro, pudesse brotar. Porque enquanto ele estivesse envenenando meu solo com seu rancor e roubasse minhas esperanças de ser feliz com suas palavras tolas, só a dor conseguiria viver.

Matei por amor, sim, mas por amor-próprio. Matei uma paixão errada dentro de mim. Ele continua por aí, espero que não magoando mais ninguém, nem sendo magoado também - que só quem sabe o que esta dor por medi-la, e não desejo isso nem para ele. Mas, dentro de mim, nada mais sobrou do que achei que era amor.

E absolvida que estou por amar tanto a mim mesma, fui presenteada com o que há de melhor: o amor verdadeiro. Um amor real, apaixonado quando preciso, intenso como deve, racional por ser amor também. E voltei a acreditar que eu posso sim, ter nascido para amar, sem nunca mais ter que matar.

Segunda-feira, Agosto 01, 2005

Já deu pra notar que estou apaixonada?

Eu sei que o cenário político, econômico e social do Brasil está lamentável, ainda sou estudante de Jornalismo. Mas, ultimamente, não tenho dito nenhuma vontade de divagar sobre isso, tenho preferido ler a respeito, acompanhar as sessões tragicômicas da TV Senado...

Acho que o blog fica muito mais agradável com poesias e músicas, que demonstram como anda meu estado de espírito: feliz, apesar de tudo. Ando rindo à toa, menos estressada que o normal, mais esperançosa e otimista... já sabem porque, né? Abaixo, uma música do primero CD da Ana Carolina, que traduz como me sinto por ter o Tiago na minha vida.








O melhor de mim
(Ana Carolina)

O meu coração está feliz por causa de você
Minha vida mudou de vez depois que você chegou
Sou outra pessoa, uma pessoa bem melhor

E se o amor tivesse uma cor, seria a sua
Se fosse branca a cor, seria a mais bela das luas
Toda a beleza que o amor pedir, eu quero pra você
O melhor de mim (4x)

Se o amor tivesse um nome, seria o seu
Se fosse flor o seu nome, seria o mais doce jasmim
Você sabe me fazer feliz e eu quero pra você
O melhor de mim (2x)

O meu corpo tá mais quente por causa de você
Minha pele mudou de cor depois que você chegou
Você entrou na minha vida como um anjo cheio de luz
Tudo ficou mais claro, tudo ficou azul

Domingo, Julho 24, 2005

Eu queria ser Vinícius de Moraes...






Soneto do Amor Maior

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Terça-feira, Julho 19, 2005

Questão de sintonia

Pra começar, quero agradecer a todos que comentaram no post anterior: sim, queridos, realmente estou feliz, e fico cada vez mais com o carinho que recebo aqui no blog. Os problemas continuam existindo, ainda há ciclos inacabados, mas amar e ser amada dá uma força danada para acreditar que tudo dará certo no fim das contas, saber que não estou sozinha no caminho é muito melhor.
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Cada vez mais acredito que os desencontros da vida acontecem quando falta sintonia. Quando praticava Yoga, aprendi a me concentrar em não deixar canais energéticos abertos sem controle, para evitar que maus pensamentos me tomassem. Aplicando isso no dia-a-dia, creio que somos parte do cosmos e com ele precisamos estar afinados para que não nos percamos por sentimentos pequenos.

Se a manhã está fria e chuvosa e você sai de casa sem guarda-chuva ou sem um agasalho, não está em sintonia com o dia que está começando. Este é um exemplo bobo, mas mostra como se sintonizar com a natureza é imprescindível para evitar desconfortos, dos mais banais como o frio e a possibilidade de uma gripe, aos mais íntimos e pessoais.

Minhas férias da faculdade começaram e espero encontrar tempo para me sintonizar melhor com meus objetivos, traçados ainda no início do ano. Sim, porque mesmo falando aqui minhas conclusões e idéias, não significa que eu as siga todas ou que consiga agir de acordo o tempo todo.

Se no campo afetivo me sinto completamente sintonizada, em outros aspectos ainda preciso encontrar o canal certo para que as energias positivas fluam e a clareza de pensamentos seja completa. A procura por um trabalho decente e o trabalho de escrever a monografia de fim de curso são partes importantes do futuro que quero construir, são projeções da profissional que sou e da que quero me tornar.

Sendo assim, se você está sentindo meio "fora de sintonia", se parece que o azar te ronda ou que você não nasceu para isso ou para aquilo, pense que só você pode começar a mudar aquilo que não te faz bem. Uma decisão que sempre é adiada, um pensamento que nunca é afastado... somos o que nos permitimos ser. Então, mesmo que as outras pessoas não nos entendam no momento, projetar nosso futuro calcado nas atitudes do presente pode ser uma boa forma de se sentir pleno e feliz, mesmo que nem tudo seja flores...

Segunda-feira, Julho 11, 2005

Um mês

É possível fazer muita coisa em trinta dias.

É certo que, quanto mais velhos ficamos, mais deixamos de contar o tempo em horas ou dias e começamos a contar em semanas e meses, o que nos dá a ilusão de que um mês é muito pouco.

Mas em trinta dias é possível mudar de vida. Podemos passar a crer em fenômenos antes nunca imaginados, podemos perder pessoas, ganhar outras. Em trinta dias, podemos mudar de emprego, de cabelo, de casa, e ainda assim sermos felizes.

Trinta dias equivalem a 720 horas... já pensou nisso? Horas que podem nos trazer alegrias ou tristezas, marcas eternas de ressentimento ou lembranças também eternas de felicidade. Momentos banais passam sem que nunca mais lembremos deles; outros, tão banais quanto, podem ser relembrados como divisores de água invisíveis muitos dias depois.

Em um mês, descobri de novo o amor. E tanta felicidade tem feito as tristezas ficarem cada vez menores, os problemas mais contornáveis, os aborecimentos menos aborrecidos. Claro que, daqui a trinta dias, tudo pode ter mudado. Mas comemorar este aniversário hoje já vai ter valido a pena.

Segunda-feira, Julho 04, 2005

Esparadrapo

Isabelle Lindote
(06/12/2000)

Calaram meus avós
Mulheres submissas
Homens hipócritas
Enquanto as moças iam às missas
Os cavalheiros partiam para noites insólitas
Censura velada!

Calaram meus pais
Mulheres mais independentes
Homens a fim de paz e amor
Uma geração de cidadãos conscientes
Marcada pela repressão e pelo temor
Censura escancarada!

Agora querem me calar
Mulheres emancipadas
Homens sem preconceitos
Sede de atitude em contraste com as bocas caladas
Dos jovens que querem ser aceitos
Censura mascarada?

Domingo, Junho 26, 2005

T. P. M.

Se você é mulher, tem 90% de chance de saber do que se trata a sigla do título. Se for homem e tiver namorada, esposa, mãe, filha, prima, enfim, alguma mulher próxima o bastante de você, tem pelo menos 50% de saber, isso se for um homem desligado.

Os homens muitas vezes sofrem com os destemperos e aroubos de humor que dominam as mulheres nesta época do mês, mas certamente não são os que mais penam com a TPM. A Tensão Pré-Menstrual pode ocupar até meio mês de vida de uma mulher, sabiam? (esta é a vantagem de ser filha de ginecologistas, rs)

Quando estou nesta fase, que me ocupa normalmente 1/3 do mês, sou capaz de explosões emotivas totalmente desnecessárias, posso chorar sem motivo ou rir como uma doida com piadas sem-graça. Sempre me aparecem espinhas no rosto, um certo inchaço no abdomen e nas extremidades do corpo por retenção de líquido e meu cabelo parece que fica mais cheio.

A TPM também me traz uma fome louca por doces, ou na verdade, vontade de comer o único doce que gosto: chocolate. Com o friozinho que tem feito no Rio de Janeiro, as opções de delícias quentinhas que levam este néctar dos deuses parecem irresistíveis e confesso que estou sofrendo bastante para me manter na dieta.

E quando a M chega, a T começa a ir embora, e chega a culpa: por ter explodido quando não devia, por ter comido chocolate, por ter feito drama com quem não merecia... e até todos os hormônios loucos normalizarem suas taxas, lá se foi 2/3 do mês. Ou seja, me sobram dez míseros dias para tentar recuperar as coisas.

Isso já funciona assim há doze anos e provalmente vai durar mais uns trinta anos, pelo menos. Nossas bisavós e tataravós sentiram menos estes efeitos porque há muito tempo atrás as mulheres passavam tanto tempo grávidas e amamentando (era comum ter 10, 15, 20 filhos!) que não sobrava muito tempo. A TPM é uma conseqüência da modernidade.

Sendo assim, meninos, please: perdoem suas mulheres. A culpa não é delas, é dos hormônios. E aja hipoglós no rosto para secar espinhas e chocolate para matar a ansiedade das pobres meninas. Estou pensando em me matricular em uma aula de boxe ou quem sabe voltar a fazer krav-magá, deve ser um bom meio de soltar os bichos. Também quero voltar para a yoga para equilibrar as coisas, voltar a canalizar as energias.

E parem de reclamar de unhas encravadas, viu?! Gerar babys é uma benção, mas pagamos um preço alto para isso.

Terça-feira, Junho 21, 2005

Meu dia perfeito

Meu dia perfeito teria no mínimo 48 horas. Afinal, para fazermos tudo o que nos recomendam os nutricionistas, cardiologistas, personal trainers, psicólogos, endocrinologistas e outros profissionais da saúde e do bem-estar, é preciso tempo!

As oito horas básicas para dormir, com uma folga de duas horas para aquele dias de maior preguiça ou para quando os compromissos não fossem tão urgentes.

Ao menos duas horas para escovar os dentes, tomar um banho revigorante para começar o dia, tomar um café da manhã decente com a calma que todo médico recomenda, escolher a roupa, arrumar a bolsa e sair.

Em uma hora chegaria ao trabalho e teria as oito horas habituais de labuta, com duas horas de almoço entre as quatro primeiras e as últimas, no qual seria possível comer sem pressa alimentos saudáveis, e não fast-foods e lanchinhos entre um papel e outro.

Saindo do trabalho, uma hora para voltar para casa e duas horas para praticar exercícios físicos: um dia, caminhar; no outro, pedalar. Quem sabe uma musculação, dança, yoga, natação, spinning, alongamento, pilates, shiatsu. Usufruir mais das possibilidades que as academias oferecem, fortalecer o corpo, organizar a saúde.

Como dizem que devemos sempre nos reciclar, dedicaria três horas diárias para o estudo. Fazer um curso de filosofia, uma aula de língua estrangeira, aprender a História da China ou entrar para um curso de pós-graduação. Acrescentaria mais duas horas para sozinha tentar entender tudo isso, estudando, fazendo projetos, escrevendo resenhas.

Finalmente, o lazer. Dedicaria então quatro horas para estar com os amigos, dividindo o tempo durante a semana entre os amigos verdadeiros, sem se importar onde. Uma hora para o banho, a escolha da roupa, do perfume e mais duas horas para jantar com o amor. Espaço para perguntar "Como foi seu dia?" e ele responder "Meu dia está só começando".

Sobrariam então dez horas para as declarações, os beijos, os abraços, para andar de mãos dadas no parque, para ir ao cinema, para dançar coladinho, para falar besteira, para não falar nada, para amar e ser amado.

Pensando bem, talvez 48 horas ainda seja pouco. Muito pouco.

Domingo, Junho 12, 2005

Amor

Luis Fernando Veríssimo

Quem não gosta de ser amado? Ser paparicado? Receber atenção especial,presentinhos e beijinhos doces? Quem não gosta de surpresinhas gostosas, beijo na boca e abraços apertados? Quem é que de livre e espontânea vontadeprefere a solidão a uma boa companhia?

Ora, todo mundo quer uma boa companhia e de preferência para o todo sempre.Mas conviver com essa "boa companhia" diariamente por 3, 5, 10,15,25 anos éque é o difícil. No começo dos relacionamentos e até 1 ano de vida amorosa, tudo são mais oumenos flores, (se o seu relacionamento tem menos de um ano e já é mais deBrigas e discussões, caia fora dessa fria). Não adianta você dizer quedepois de três meses apenas que "encontrou o amor de sua vida", porqueo amor precisa de convivência para ser devidamente testado.

Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, seamando amanhã e entrando em crise depois de amanhã. Uma coisa frenética e louca que tem feito muita gente, que se julgavaequilibrada, perder os parafusos e fazer muita besteira. Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estãocrescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da velocidade dasinformações e o medo de ficar sozinho.

As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos,vícios e qualidades, e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal daalmagêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscampara o seu lado.Vale tudo nessa guerra, chat, carta, agência, festas e até roubar oparceirode alguém. É uma guerra para não ficar sozinho. Medo? Com medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências?

Com medo de encarar a vida e suas lutas? Então a pessoa consegue alguém (ou acha que está nascendo um grande amor),fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho, trancado em si. Mesmo, nos quartos e no seu egoísmo, a pessoa transfere toda a sua carênciapara o(a) parceiro(a), transfere a responsabilidade de ser feliz para umapessoa. Que na verdade ela mal conhece. Então, um belo dia, vem o espanto, a realidade, o caso melado, o "falsoamor" acaba, e você que apostou todas as suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e o pior: muitas vezes fica sem vontade de viver. Pobre povo desse século da pressa!

Precisamos urgentemente voltar o costume "antigo" de "ter tempo", de dar umtempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas. Namorar é conhecer, é reconhecer, é a época das pesquisas, doreconhecimento... Se as pessoas não se derem um tempo, não buscarem se conhecer mais, logo embreve teremos milhares de consultórios lotados de "depressivos" ecemitérioscada vez mais cheios de suicidas "seres cansados de si mesmos...".

Faça um bem para si mesmo e para os outros, quando iniciar umrelacionamentoprocure dar tempo para tudo: passeie muito de mãos dadas, converse maissobre gostos e preferências, conheça a família e mostre a sua, descubra oshábitos e costumes. Parece careta demais? Que nada, isso é a realidade que pode salvar orelacionamento e muitasvidas. Muita pretensão? Não, só vontade de te ver feliz.

Segunda-feira, Junho 06, 2005

Este mundo está virado (A saga do número 44)

Dedicada à todas pessoas que não se enquadram nos padrões... se é que alguém se enquadra.

Pode parecer futilidade, besteira, coisa de menina. Mas já que os homens estão ficando cada vez mais vaidosos, como andam alardeando meus futuros coleguinhas jornalistas, fico à vontade para falar um pouco sobre as pressões estéticas nossas de cada dia.

Na verdade, este é um assunto recorrente aqui no blog, e não é porque eu tenha três olhos, antenas e escamas nas costas, não. A explicação é muito simples: continuo não me conformando quando escuto comentários preconceituosos de qualquer espécie ou quando passo por alguma situação desnecessariamente embaraçosa.

Multiplicam-se os livros que falam da valorização do interior e da necessidade de preservar a auto-estima alta. Mas ao mesmo tempo também se multiplicam os programas de TV que pregam a necessidade de transformações radicais na aparência, como se cirurgias plásticas e tratamentos dentários fossem pílulas de felicidade.

Todo este paradoxo se reflete no modo como encaramos os problemas em nosso dia-a-dia, muito mais do que podemos imaginar. Desde que comecei a fazer dieta, já escutei de tudo: elogios de amigos, críticas dos mais ortodoxos como se eu estivesse me "rendendo" ao sistema, e afirmações como "Ah, claro, você faz Jornalismo né?", como se para ser uma boa jornalista fosse necessária ter 60 cm de cintura.

No último domingo fui com uma amiga do shopping em uma frustrada tentativa de ir ao cinema. Como não foi possível, acabamos passeando por lá mesmo com o intuito de comprar uma bermuda ou saia jeans 44. Parece simples não?! Pois, pasmem, foi uma missão quase impossível. Apesar do tamanho médio das brasileiras ser o número 42, só encontramos três lojas com a numeração 44 e em uma delas este número era considerado o tamanho GG! Esta operação nos consumiu mais de duas horas e várias situações constrangedoras e olhares pra lá de piedosos e um comentário triste de minha amiga: "Que saudades de quando eu era mais magra, comprava em qualquer loja sem problema."

Tenho um irmão deficiente auditivo e sempre me preocupei com a discriminação que ele poderia sofrer. Só que este tipo de preconceito se tornou politicamente incorreto - muita gente tem mais poucas pessoas admitem. Em compensação, as pessoas se tornam cada vez mais perversas umas com as outras, diante da quantidade de métodos de correção das imperfeições. Creio que tudo isto começou com a onda de peitos siliconados e barrigas lipoaspiradas, mas hoje em dia anda beirando a loucura. Não me admiro se daqui a pouco começarem a faltar plaquetas dentárias no mercado.

Minha resposta aos maldosos de plantão já está sendo produzida: meu tema de monografia é "A representação da estética feminina no telejornalismo". Troco intelectual para o pensamento pequeno de quem ainda acha que os atores de novela são "artistas" e que para aparecer na televisão é preciso fazer o "teste do sofá".

Sexta-feira, Maio 27, 2005

Disciplina X Rotina

Rotina é acordar no mesmo horário, cinco vezes por semana, apenas porque tem que trabalhar, sem pensar no porquê de fazer aquilo.
Ter disciplina é acordar uma hora mais cedo para caminhar, com o objetivo de melhorar a saúde e o bem-estar. E também o ânimo para trabalhar e assim conquistar bens materiais e prazer pessoal.

Rotina é trabalhar em algo de que não se gosta, apenas porque você já trabalha nisso há dias, meses, anos.
Ter disciplina é separar horários do dia, da semana, do mês, para procurar um outro emprego mais prazeroso. Até encontrar.

Rotina é fazer os mesmos caminhos todos os dias apenas porque é mais rápido, mais fácil, mais tranqüilo... ou simplesmente porque alguém o ensinou a fazer isso.
Ter disciplina é procurar caminhos diferentes para chegar aos lugares que se quer ou para atingir os objetivos desejados. E descobrir que estes caminhos podem ser mais seguros também.

Rotina é ter relacionamentos que não preenchem todos os escaninhos do seu coração, mas que cabem dentro de sua carência, apenas porque é menos dolorido do que amar de verdade.
Ter disciplina é ensinar ao seu coração de que o amor pode machucar, deixar marcas e por vezes até fazê-lo sangrar... mas que é só tentando sempre que encontraremos aquele que vai cicatrizar todas as feridas.

Rotina é comer o mesmo tipo de comida, ingerir a mesma qualidade de bebida, freqüentar os mesmos ambientes para se divertir e ter os mesmos colegas para dividir estas pequenas rotinas. E não achar que é isso é uma rotina.
Ter disciplina é conseguir se doar um pouquinho para cada amigo novo, é aprender a gostar de um novo paladar, é apreciar um outro tipo de bebida mais saudável, sabendo que aquilo poderá mudar sua vida.

Rotina é quando mecanizamos o que deveria ser racionado.
Ter disciplina é conseguir racionalizar o que nos ensinam que deve ser mecanizado.

Mas disciplinar não é transformar o novo em rotina.
Disciplinar é dar objetivos para as rotinas necessárias.

Por isso, não transforme a rotina em uma arma contra sua própria alma.
Mas faça sua tarefas com a disciplina que nos dá porquês, motivos, objetivos e razões.

Não quero a rotina de ligar o computador e a TV só porque cheguei em casa.
Mas quero ter a disciplina de ligar o computador para escrever algo que me permita ser mais eu. E a disciplina para escolhero que realmente quero assistir na TV.

Trabalhe, coma, beba, ame. Mas não por rotina.
Faça por prazer, com consciência. E com disciplina.

Sábado, Maio 21, 2005

Se eu fosse...

Neste fim de semana estarei ocupadíssima, então só para não deixar o blog vazio, estou postando um exercício que vi em outro blog e achei muito interessante... bjos a todos!

Se eu fosse um mês, eu seria: março
Se eu fosse um dia da semana: quinta
Se eu fosse uma hora do dia: 20h
Se eu fosse um planeta: Netuno
Se eu fosse uma direção: sul
Se eu fosse um móvel: um pufe
Se eu fosse um líquido: vinho tinto
Se eu fosse um pecado: gula
Se eu fosse uma pedra: água marinha
Se eu fosse uma árvore: pé de pitanga
Se eu fosse uma fruta: maçã
Se eu fosse uma flor: uma flor do campo
Se eu fosse um clima: de montanha
Se eu fosse um instrumento musical: piano
Se eu fosse um elemento: água
Se eu fosse uma cor: verde
Se eu fosse um bicho: peixe
Se eu fosse um som: ondas do mar
Se eu fosse uma música: More than words (Extreme)
Se eu fosse um estilo musical: jazz
Se eu fosse um sentimento: ternura
Se eu fosse um livro: O Encontro Marcado (Fernando Sabino)
Se eu fosse uma comida: mousse de chocolate
Se eu fosse um lugar: um cinema
Se eu fosse um gosto: doce
Se eu fosse um cheiro: alfazema
Se eu fosse uma palavra: pensamento
Se eu fosse um verbo: conversar
Se eu fosse um objeto: um travesseiro
Se eu fosse uma parte do corpo: ombros
Se eu fosse uma expressão facial: sorriso
Se eu fosse um personagem de desenho animado: um ursinho carinhoso
Se eu fosse um filme: Moulin Rouge
Se eu fosse uma forma: oval
Se eu fosse um número: 8
Se eu fosse uma estação: primavera
Se eu fosse uma frase: "Quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores?" (do poema Vida Íntima de Vinícius de Moraes)

E se vc fosse?

Domingo, Maio 15, 2005

O beijo

Era só um beijo, qual o problema? Afinal, eles já haviam trocado tantos entre si e com outras pessoas. Bocas, saliva, línguas, dentes mordendo lábios vez por outra, olhos fechados, mãos desencontradas. Beijo. Absolutamente normal.

Ela não era feia, mas também não era muito bonita. A voz marcante era ouvida de forma pausada, após anos de treino. Podia ser mais magra, é verdade, mas tinha brilho nos olhos e, o mais importante, era amiga. A melhor amiga dele.

Ele também era amigo dela. Amizade longa, mas que não começou como aizade, nem tampouco como amor. Era carinho, paixão, dava vontade de beijá-la o dia inteiro, dava saudades também. Mas não era amor, tanto que acabou. Há dez anos.

Ela só queria um beijo.
Ele só queria entender.
"Mas como dizer que fomos namorados se não me lembro mais do seu beijo?" dizia ela.
"Eu vou me casar, como posso beijar você agora?" dizia ele.

Era de fato um impasse.

"É um beijo de amizade, de carinho, só que é na boca. Não será a primeira vez, por que se importar tanto?" dizia ela.
"E se eu tiver vontade de que ele não seja o último, o que farei?" dizia ele.

Então se olharam fundo nos olhos e ela acordou. Era um sonho. Um sonho inédito, sem significado aparente, sem razão que lhe proporcionasse o estopim. Então ela preferiu acreditar ter sido apenas mais um sonho. E ela continuaria sem saber como era o beijo dele.

Sábado, Abril 23, 2005

A alma (ou Perdendo de goleada)

Os comentários do meu post sobre o medo de perder me fizeram pensar sobre o "apodrecimento da alma". Recebi além dos comentários, alguns e-mails, e também tive alguns papos pelo messenger sobre o assunto. "Nossa, você realmente acredita nisso?"

Sim, eu realmente acredito. Acredito que podemos evoluir ou involuir, aprender ou emburrecer. Não sei se o que vale é o saldo final de nossas atitudes, não sei se o que vale é a capacidade de abnegação de cada um, não sei se o que vale é mantermos a maior parte do tempo a mente limpa de inveja, egoísmo e outros males da alma. Não sei, não sei.

O que sei é que todo mundo faz besteiras, todo mundo tem pensamentos impuros, todo mundo mente de vez em quando. Todos os seres, por mais que tentem controlar, têm a capacidade de fazer e pensar o mal. Inclusive para si mesmos.

PS: Como é humilhante perder de goleada, não? Em casa então, nem se fale.

Domingo, Abril 17, 2005

Medo de perder

A cada ano que passa, creio que me descubro um pouco mais. Talvez porque nós mudemos todo o tempo, talvez porque a idade nos faça aceitar melhor a idéia de que não somos perfeitos. Como se diz "o que não me derruba, me fortalece".

Descubro, não tão de repente quanto possa parecer, que tenho medo de perder. Medo de perder no jogo, medo de perder meus brincos preferidos, medo de perder a hora quando vou ver um cliente. Medo de perder tempo com devaneios amorosos, de perder amigos conquistados ao longo da vida, de perder o rumo diante das adversidades.

Talvez eu sempre tenho tido estes medos, mas quanto mais avanço no tempo, mais meus os medos se acumulam, posto que é muito difícil deixarmos de lado um medo, seja ele de altura, de escuro ou de barata. Muitos dos nossos medos da infância se acumulam, sendo somados aos medos da adolescência, da vida adulta e da velhice. É, porque mesmo idosos podemos acumular medos.

Alguns medos aliás são muito característicos de alguns momentos da vida, como o medo da solidão, medo de perder um ente querido, medo da morte. Não é comum pensar na morte aos 15 anos, mas aos 65 este medo pode atormentar aos mais desavisados.

Pois acabo de acumular mais um medo à minha pequena lista de medos: estou com medo de mim. Medo da minha incapacidade de resolver todos os problemas que gostaria, medo da imprevisibilidade dos meus atos diante das situações que ainda desconheço, medo do envelhecimento do meu corpo e do apodrecimento da minha alma. Medo de me transformar tanto que nem eu me reconheça mais.

Será medo de enlouquecer? Ou será que já é loucura todo este medo?

Quinta-feira, Abril 14, 2005

Eterno por ser amor

É, te amo
Não há porque esconder

Não é que você mereça
Aliás, você não merece e bem sabe disso
Mas meu amor não é inconseqüente,
é apenas incoerente.

Meu amor não é cego,
talvez seja apenas calado.
É amor por amor, amor construído
é semente que cresce em terra fértil
mesmo sem ser regada.

Te amo, mas neste amor, não há desespero
não há dor, nem mágoa, rancor
é amor maduro, saudoso do que poderia te sido
mas nunca será.

É estranho falar que não te quero mais
mas te amo sim
e por te amar tanto
tão mais quanto seja possível
que te quero longe.

O que mantém este amor vivo
é o paradoxo da distância.
Amo tanto que te quero feliz,
em terra em que meus olhos não vejam
mas que sinta meu coração.

É, te amo
e este sentimento é eterno
simplesmente por ser, amor.

Isabelle Lindote - 14/04/05

Segunda-feira, Abril 11, 2005

Não se mede sentimento em números

Gostaria imensamente de saber quem foi que determinou que meninas altas não devem olhar para os baixinhos ou que as gordinhas devem projetar suas expectativas românticas nos meninos tão gordinhos quanto elas.

Todo mundo já ouviu a expressão "Ele não é meu número". Como se cada pessoa fosse uma panela e tive que procurar uma tampa para encaixar perfeitamente. Muitos já devem ter visto, no entanto, casais compostos por magrinha-gordinho e alto-baixinha. Mas ainda existem olhares tortos para casais chamados de "inter-raciais" ou ainda para casais magro-gordinha e alta-baixinho.

Confesso que nunca tive este tipo de preconceito: alto, baixo, moreno, loiro, negro, japonês, gordo, magrelo. A embalagem que reveste a pessoa pode mudar tão rápido quanto mudam os sentimentos que não são verdadeiros. O que fica é o respeito, a paixão, o desejo e, claro, o amor, em alguns casos.

Não é demagogia barata, não. Conheço realmente pessoas que deixaram de dar oportunidade para outras por puro preconceito, mesmo estando interessadas. "Ora, o que os outros iriam pensar?". Ora, às favas todos os outros! Se fechar a um possível relacionamento por preconceito ou "nivelar" os pretendentes por qualquer outro critério que não o amor é ter cegueira da vida.

Quem nunca reparou em alguém que não tem o biotipo da escravocracia da moda? Charme, simpatia, educação, carisma. Há outras tantas formas de se mostrar atrante, muitas mais influentes que um padrão de beleza em si. Deixemos os números para as contas do imposto de renda e para as numerações de lojas de roupas. Afinal, ninguém é perfeito. Ou você é? Eu não sou.

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Beautiful
Cristina Aguilera

Every day is so wonderful
And suddenly, it's hard to breathe
Now and then, I get insecure
From all the fame, I'm so ashamed

I am beautiful no matter what they say
Words can't bring me down
I am beautiful in every single way
Yes, words can't bring me down
So don't you bring me down today

To all your friends, you're delirious
So consumed in all your doom
Trying hard to fill the emptiness
The pieces gone, left the puzzle undone
Is that the way it is?

You are beautiful no matter what they say
Words can't bring you down
You are beautiful in every single way
Yes, words can't bring you down
So don't you bring me down today...

No matter what we do (no matter what we do)
No matter what we say (no matter what we say)
We're the song inside the tune
Full of beautiful mistakes
And everywhere we go (and everywhere we go)
The sun will always shine (sun will always shine)
But tomorrow we might awake
On the other side 'Cause we are beautiful no matter what they say
Yes, words won't bring us down
We are beautiful in every single way
Yes, words can't bring us down
So, don't you bring me down today
Don't you bring me down today
Don't you bring me down today

Segunda-feira, Abril 04, 2005

Baú de lembranças e esquecimentos

"Tell me, tell me that your sweet love hasn't died / Give me, give me one more chance to keep you satisfied, satisfied (...)" - Always On My Mind (Elvis Presley)

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Visito quase diariamente alguns blogs de amigos cujos endereços estão ao lado, mas há tempos não indico algum ou falo sobre eles.

Há dois dias, eu estava no meu tour usual pelos blogs quando me deparei com a letra de uma música em um deles. Sempre visito o Pulp! e uma das coisas que me atrai nele, além do dono ser um amigo querido, é que vira e mexe me deparo com referências cinematográficas e musicais, duas paixões.

"I Want Love" do Elton John foi uma canção emblemática de um período bem dolorido da minha vida. Chorei várias vezes ouvindo seus versos ou mesmo repetindo sozinha, cantando em voz alta ou apenas mentalmente. A imagem do Robert Downey Jr. no clipe é de uma solidão tão franca que me fazia enxergar a minha própria ainda mais francamente.

Hoje, voltando do trabalho, resolvi fazer um caminho diferente e entrei em uma livraria da qual gosto muito, mas que não costumo visitar por não fazer parte do meu caminho rotineiro. Adivinhem qual música começou a tocar assim que entrei? Sim, ela mesma. Foram pouco mais de três minutos de viagem emocional por meu baú de sensações, revirando as lembranças e percebendo como alguns esquecimentos são necessários.

A música terminou quando eu estava com um livro do Ohso nas mãos chamado Intimidade, livro com o qual presenteei uma das lembranças mais ternas que tenho no momento. E imaginei que daqui há alguns poucos anos, talvez meses, ele também fará parte do baú do que certamente é melhor que eu esqueça.

"But I want love, just a different kind
I want love, won't bring me down
Won't brick me up, won't fence me in
I want a love, that don't mean a thing
That's the love I want,
I want love"

Sexta-feira, Abril 01, 2005

Mais que metade

texto de 29/12/2000

O amor consegue ser sublime, majestoso e, ao mesmo tempo, simples e único. É magia que toma o coração, é calor que envolve a emoção, é o ápice do bem-querer e do querer bem. Sem amor, o que somos? Será que somos?

Por muito tempo somos metade. Mas um dia, e este dia tarda mais não falha, alguém vem para nos completar. Nem sempre sabemos disso, nem sempre reconhecemo-no, mas ele vem. E vai. E nem sempre volta. Por isso, é preciso agarrar com unhas e dentes o que achamos que vale a pena conquistar.

Hoje me sinto mais metade do que nunca. Parece que me falta o ar, a alegria, o juízo. Viro criança como que em um passe de mágica - a mágica do amor puro, a magia da sinceridade. E choro. E como. E a dor de não ser amada queima, não como uma úlcera, talvez como um vulcão em minha alma.

Deus nos fez para que crescêssemos. E a cada dia me sinto diminuir. O que há de errado, bem sei. Me falta um porquê. Pois minha razão se foi, levando consigo minha esperança. Neste momento, portanto, preciso ter força. Tirá-la do âmago do meu ser.
Agora, então, sou inteira. E me basto. Nunca há em nosso caminho obstáculo maior que nossa vontade de ultrapassá-lo (já dizem os sábios). E quero ultrapassar a barreira da solidão. Porque ela não me é companheira.

Perdi um grande amor? Se o perdi de fato, é porque nunca foi meu. Então, eu era metade de muletas. E pensava que era inteira. Assim, meu amor de verdade ainda virá. E eu o esperarei. Já diziam que para o amor não há explicação, nem tão pouco exatidão. Logo, quero ser mais imperfeita que a própria imperfeição. E dela ser mestre de cerimônia.

Acho que encontrei meu amor. Será que me engano? Pode ser. Afinal, sou imperfeita! Mas se me engano, quero ir o mais fundo possível para descobrir. Se for ilusão, terei mais uma ferida em minha alma, me fazendo crescer como Deus bem quis. E se for ele meu amado, a metade que me fará atingir o melhor de mim, terá valido a pena ter sofrido, me equivocado, chorado e lamentado até aqui..."

Quinta-feira, Março 24, 2005

Os amigos também fazem aniversário

*ouvindo Cuide Bem Do Seu Amor - Paralamas do Sucesso *

No texto passado, escrevi sobre o fazer aniversário. Na verdade, escrevi sobre o MEU fazer aniversário, já que quando vemos o outro aniversariando a sensação não é a mesma.

Não é por falta de assunto que retomo este tema: Aniversário. O fato é que a quantidade de amigos e pessoas queridas que já fizeram ou ainda farão aniversário por estes dias é enorme! Nunca havia percebido como tenho amigos piscianos e arianos, tenho distrubuído mais presentes e votos de felicidade que no Natal!

Hoje, por exemplo, é aniversário de um dos meus melhores amigos. Uma pessoa de alma e sorriso tão doces que quase sempre encantam de primeira. Aos desavisados, encantam no máximo na segunda olhada. Não, não é perfeito este amigo campineiro tão querido, é ser humano pois sim, e a ele já dediquei um monólogo que clama por sua imperfeição.

Ver o outro fazer aniversário é se esquecer por um dia - ou ao menos por algumas horas - de suas imperfeições. Desejamos felicidade, sucesso, amor, paz e outras tantas realizações como se o indivíduo tivesse acabado de nascer. Sim, nascemos e morremos a cada dia, a harmonia e a energia positiva transmitida no dia do nosso aniversário deveria ser constante, talvez modularmente dividida durante o ano. Mas não é, a felicidade também não é perfeita.

Por isso, ao Guile e a todos os demais amigos, de quaisquer signos, idades, estados, muita vibração positiva! Poder compartilhar do aniversário de quem se ama pode renovar a esperança de poder compartilhar o próximo.

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O que é, o que é
Isabelle Lindote - 07/10/1999


Falar-lhe-ei então da vida
esta sofrida
tantas vezes bandida
em momentos, esquecida.

Esta que há de viver
e também de sofrer
e também de perder
e também de morrer.

O que esperar desta grande dança
que se inicia na infância
mas tarda em ganância
e finda em esperança.

O melhor é nada dela esperar
apenas chorar
para depois superar
mas sempre amar . . .

Quinta-feira, Março 17, 2005

Fazer aniversário

Há algo de trágico em fazer aniversário. Se pensarmos com clareza, a cada dia que passa podemos nos tornar mais sábios ou ignorantes, de acordo com nossas atitudes, mas sempre ficamos mais velhos. Disso não há como fugir. E isso nos aproxima mais da morte, do momento em que teremos que deixar este corpo que nos abriga para aprender em outros cosmos.
Mas também há alegria neste dia, porque em alguma medida ele nos torna especiais para outras pessoas, queridas, amadas ou apenas conhecidas, que seja. Amanhã, 18 de março de 2005, completo meu 24º aniversário. Com um tantinho de melancolia no peito e um outro tanto de expectativa e felicidades. De uma coisa tenho certeza: será um dia único :)

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Soneto de aniversário
Vinicius de Moraes

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.
(Rio, 1942)

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"Zilda, a dona da casa, arrumara a mesa cedo, enchera-a de guardanapos de papel colorido e copos de papelão alusivos à data, espalhara balões sungados pelo teto em alguns dos quais estava escrito "Happy Birthday!", em outros "Feliz Aniversário!" No centro havia disposto o enorme bolo açucarado. Para adiantar o expediente, enfeitara a mesa logo depois do almoço, encostara as cadeiras à parede, mandara os meninos brincar no vizinho para não desarrumar a mesa." - trecho de "Feliz Aniversário" de Clarice Lispector

"No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,Eu era feliz e ninguém estava morto.Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer." - trecho de "Aniversário" de Fernando Pessoa

"São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." - trecho de "A última crônica" de Fernando Sabino