Luis Fernando Veríssimo
Quem não gosta de ser amado? Ser paparicado? Receber atenção especial,presentinhos e beijinhos doces? Quem não gosta de surpresinhas gostosas, beijo na boca e abraços apertados? Quem é que de livre e espontânea vontadeprefere a solidão a uma boa companhia?
Ora, todo mundo quer uma boa companhia e de preferência para o todo sempre.Mas conviver com essa "boa companhia" diariamente por 3, 5, 10,15,25 anos éque é o difícil. No começo dos relacionamentos e até 1 ano de vida amorosa, tudo são mais oumenos flores, (se o seu relacionamento tem menos de um ano e já é mais deBrigas e discussões, caia fora dessa fria). Não adianta você dizer quedepois de três meses apenas que "encontrou o amor de sua vida", porqueo amor precisa de convivência para ser devidamente testado.
Nesse mundo maluco e agitado, as pessoas estão se encontrando hoje, seamando amanhã e entrando em crise depois de amanhã. Uma coisa frenética e louca que tem feito muita gente, que se julgavaequilibrada, perder os parafusos e fazer muita besteira. Paixão, loucura e obsessão, três dos mais perigosos ingredientes que estãocrescendo nos relacionamentos de hoje em dia por causa da velocidade dasinformações e o medo de ficar sozinho.
As pessoas não estão conseguindo conviver sozinhas com seus defeitos,vícios e qualidades, e partem desesperadamente para encontrar alguém, a tal daalmagêmea, e se entregam muitas vezes aos primeiros pares de olhos que piscampara o seu lado.Vale tudo nessa guerra, chat, carta, agência, festas e até roubar oparceirode alguém. É uma guerra para não ficar sozinho. Medo? Com medo de se encarar no espelho e perceber as próprias deficiências?
Com medo de encarar a vida e suas lutas? Então a pessoa consegue alguém (ou acha que está nascendo um grande amor),fecha os olhos para a realidade e começa a viver um sonho, trancado em si. Mesmo, nos quartos e no seu egoísmo, a pessoa transfere toda a sua carênciapara o(a) parceiro(a), transfere a responsabilidade de ser feliz para umapessoa. Que na verdade ela mal conhece. Então, um belo dia, vem o espanto, a realidade, o caso melado, o "falsoamor" acaba, e você que apostou todas as suas fichas nesse romance fica sem chão, sem eira nem beira, e o pior: muitas vezes fica sem vontade de viver. Pobre povo desse século da pressa!
Precisamos urgentemente voltar o costume "antigo" de "ter tempo", de dar umtempo para o tempo nos mostrar quem são as pessoas. Namorar é conhecer, é reconhecer, é a época das pesquisas, doreconhecimento... Se as pessoas não se derem um tempo, não buscarem se conhecer mais, logo embreve teremos milhares de consultórios lotados de "depressivos" ecemitérioscada vez mais cheios de suicidas "seres cansados de si mesmos...".
Faça um bem para si mesmo e para os outros, quando iniciar umrelacionamentoprocure dar tempo para tudo: passeie muito de mãos dadas, converse maissobre gostos e preferências, conheça a família e mostre a sua, descubra oshábitos e costumes. Parece careta demais? Que nada, isso é a realidade que pode salvar orelacionamento e muitasvidas. Muita pretensão? Não, só vontade de te ver feliz.